terça-feira, 30 de março de 2010

O inverno vem chegando... Casaco é um saco!

Retomando a ideia da campanha "saco é um saco", um problema que causará um grande sofrimento a (longo?) prazo. E levado pelo período em que são lançadas as tendências da moda outono/inverno, quero comentar sobre algo que causa terríveis sofrimentos num curto prazo: os casacos de pele.
Existem hoje vários materiais sintéticos, feitos de plásticos ou fibras que simulam a pelugem dos bichos. Mesmo assim, por status, muitas pessoas ainda preferem usar os casacos de origem animal. O que não deixa de ser extremamente bizarro. Imaginem, um ser humano andando pela rua com várias chinchilas mortas dependuradas pelo corpo...
Aqui, será mostrado tamanha crueldade imposta neste processo...

Esta é uma matéria da revista "Mundo Estranho" de Julho de 2009...



Apesar do editor da matéria acreditar que o abate dos animais para alimentação uma humana tem uma causa justificável (o que devo discordar prontamente), o mesmo revela uma posição de revolta quanto à crueldade ocorrida na produção de casacos de pele, realizada meramente para contentar a vaidade humana.



quinta-feira, 25 de março de 2010

Trolls atirando nos próprios pés: reflexão sobre o #DiaMundialSemCarne


Por Robson Fernando


No último dia 20 de março, mais uma vez o Twitter foi palco de militância vegetariana, dessa vez em virtude do Dia Mundial Sem Carne – embora o dia seja mundial, só houve a arquitetação de uma campanha twitteriana no Brasil. A tag #DiaMundialSemCarne conseguiu um feito ainda melhor que o #GoVegetarian, também brasileiro, de um mês antes: foi para primeiro lugar nos trending topics nacionais.

Entretanto, essa realização foi, em sua maior parte, não graças aos militantes que mostraram links e frases relacionadas aos males do consumo de carne, mas sim graças à multidão de onívoros que ironizou com o dia. Esse comportamento troll, ao meu ver, merece ser o tema desta reflexão sobre a campanha do #DiaMundialSemCarne.

O que roubou a cena, ao contrário do #GoVegetarian, foi não mais o esforço dos vegetarianos em si, mas a negativa resposta em massa a ele. Foi uma miscelânea de tipos de tweet, incluindo as tradicionais provocações do tipo “hoje eu comi uma picanha…”, “vamos comemorar com um churrasco”, “O dia terminou sem carne, porque esgotei toda a carne que tinha”; retweets (RTs) como “Quem comeu carne no #DiaMundialSemCarne e não se arrependeu, dê RT” ou “No #DiaMundialSemCarne eu colaborei radicalmente: destruí estoques consideráveis de carne a dentadas, por um final totalmente sem carne”; e, com menos frequência, reações mais agressivas, como “boi bom é boi morto” ou “#DiaMundialSemCarne de c… é r…”.

De fato essa foi a reação média ao #DiaMundialSemCarne: birras, provocações, reafirmações do hábito de comer carne. Preferência pela alienação e pela má educação. A grande maioria da população do Twitter que respondeu à campanha simplesmente recusou-se a refletir sobre sua alimentação, levando na brincadeira o sofrimento animal e a destruição ambiental que a carne provoca. Feliz foi a frase de uma vegetariana: “Não se iludam, o que queriam de um povo que discute sobre BBB no Twitter? Serem educados com a tag #DiaMundialSemCarne?”.

Tal povo comprovou que é de fato alienado e sem consciência, prefere dar uma banana ao debate sobre direitos animais e ignorar os alertas cada vez mais constantes e graves dos noticiários sobre os perversos impactos ambientais da produção e consumo de carne.

A população, em vez de pensar como fazer sua parte, opta por deixar que o Greenpeace e o governo – o qual até apoia a pecuária e é influenciado por um lobby ruralista – se encarreguem sozinhos de deter o desmatamento e as emissões de gases-estufa, desprezando o fato de que ela própria é quem está financiando a pecuária que desmata horrores e emite, de formas diretas e indiretas, uma enorme carga de gases-estufa – 18% segundo a FAO, 51% segundo o Worldwatch Institute.

Escolhe pôr nas mãos do mesmo governo e de ONGs como a WWF e a Sea Shepherd o ônus de lutar pela preservação da fauna marinha, esquecendo que, sem a enorme demanda por carne de peixe e frutos-do-mar que ela mesma compõe, a pesca nunca teria crescido tanto a ponto de ameaçar a vida animal em todos os mares e oceanos do planeta – e o pior, mal sabem que o próprio governo brasileiro vem fomentando que a pesca cresça ainda mais, através de seu infame Ministério da Pesca e Aquicultura.

Durante a campanha, comparei tal ridículo com situações imaginárias que teriam acontecido se computadores, internet e o Twitter tivessem existido em determinadas épocas da História. É de se imaginar: a tag #NoSlavery (sem escravidão) seria respondida no século 19 com muitas provocações pelas quais as pessoas (brancas) reafirmariam seu hábito de explorar, forçar e espancar escravos; nos Estados Unidos da década de 60, o termo #NoRacism (sem racismo) causaria reações de brancos a vociferar insistentemente que negros seriam inferiores e mereceriam ser agredidos e “esculachados”; em épocas de ascensão da luta feminista por direitos para as mulheres, reações misóginas não faltariam à tag #WomensRights (direitos das mulheres).

Poucos foram aqueles onívoros que, em vez de acompanhar a onda de provocações do povão, tentaram responder racionalmente e com argumentos por que não estavam dispostos a repensar seu hábito alimentar. Entretanto, foram quase sempre os velhos mitos surrados e fáceis de refutar: a suposta anatomia carnívora humana, o (convenientemente seletivo) seguimento da “lei do mais forte”, a cadeia alimentar, a evolução humana devida à carne, os animais “nascidos para serem alimento” etc.

Falou-se bastante também que o que estávamos fazendo era “impor” um dia sem carne, que estaríamos atentando contra a liberdade e desrespeitando a escolha alimentar das pessoas. Na verdade, porém, o #DiaMundialSemCarne, muito longe de uma imposição ou um ato de obrigar – somente o seria se o dia 20 de março tivesse sido decretado por lei como um dia de proibição rígida da venda e consumo de carne –, é um convite à reflexão lançado pelo ato de conscientizar. É um dia de se pensar nas consequências ambientais da alimentação onívora e no lado dos animais que a pecuária e a pesca matam aos bilhões todos os anos.

E lembremo-nos que a imposição é autoritária e violenta e não permite debates, algo diametralmente oposto à atitude de conscientizar, esclarecer, debater e fazer refletir a qual marcou a campanha twitteriana. Acontece que, para as pessoas, qualquer conscientização que questione seus hábitos socioculturais – no caso, a alimentação onívora – se torna uma imposição porque atenta diretamente contra aquilo que lhes dá prazer e conforto – comer carne.

É curiosa a concepção de “imposição” de grande parte dos brasileiros – que seria a atitude de qualquer verbalização que os aconselhe a mudar comportamentos de modo a adotar hábitos opostos aos atuais. Nesse sentido, até as clássicas frases “não jogue lixo no chão”, “se dirigir, não beba” e “preserve a natureza” ou mesmo os conselhos da mãe seriam considerados imposições. Mas não o são porque, ao contrário das mensagens “não coma carne” ou “seja vegetariano”, não mexem com hábitos prazerosos – não dá prazer a quase ninguém jogar lixo no chão, dirigir bêbado, vandalizar vegetações e fazer besteiras que contrariem as palavras maternas.

Outra palavra frequente entre os que se incomodaram foi “converter” – reclamava-se que estaríamos querendo converter onívoros para o vegetarianismo tal como evangélicos tentam fazer com quem não segue o cristianismo pentecostal. Outro equívoco, uma vez que a militância vegetariana quer promover o debate, a reflexão e a encaração racional do prato onívoro de todo dia e traz à luz fatos comprovados por muitas fontes idôneas, ao contrário da pregação e conversão religiosas, baseadas na fé irracional, no dogmatismo e em “fatos” de veracidade completamente duvidosa e calcadas na credulidade e falta de esclarecimento dos convertidos.

E de fato quem mais parecia ostentar uma irracionalidade parecida com a de cristãos recém-convertidos eram justamente os que reagiam contra a conscientização. Pareciam ostentar uma “fé” onívora, tão dogmática, intransigente e resistente a argumentos contrários quanto a religiosa. E, tal como religiosos fundamentalistas diante de ateus militantes, ou recusavam-se visceralmente a discutir suas crenças ou defendiam-nas com argumentos falaciosos, frágeis e até risíveis.

O que escrevi até agora nesta reflexão pode estar dando a entender que nós vegetarianos perdemos feio no #DiaMundialSemCarne, saímos humilhados e eu estou lamentando tudo em nome da militância vegetariana. Mas felizmente não foi essa a verdade. O certo é que, apesar de uma enchente de trollagens ter sido provocada, saímos ganhando. A campanha e o próprio vegetarianismo, aliás, saíram muito fortalecidos.

O #DiaMundialSemCarne foi vitorioso porque a multidão provocadora, se quis desacreditar o movimento vegetariano e o Dia Mundial Sem Carne, falhou feio, deu um tiro no pé. Os que reproduziram a tag seguida de uma provocação acabavam divulgando o nosso movimento sem querer. Em vez de ignorar o termo e dedicar-lhe um fulminante silêncio – algo que poderia até deixá-lo fora dos trending topics, uma vez que observei que as mensagens de conscientização às vezes vacilavam por uma frequência menos que intensiva –, fizeram questão de deixá-lo lado a lado com alguma alusão ao gosto por carne. Gol contra: fortaleceram muito a campanha, deram-lhe uma repercussão magnífica e ainda por cima escancaravam autoimagens do tipo “Oi, eu sou tão tolo que só tenho provocações bobocas para tentar rechaçar e invalidar o #DiaMundialSemCarne”.

E a ideia de que onívoros em sua maioria são tolos e não têm argumentos ou motivos racionais para comer carne nos tentou o tempo todo para que a concebêssemos como verdade, uma vez que ficou claro que a trollagem era o único modo que encontravam para defender (desesperadamente) seu prato, já que não encontravam nada inteligente que pudesse rechaçar a campanha. Pareciam sentir-se acuados diante daquilo que não podiam encarar de forma esperta e, assim sendo, partiam para a força bruta para tentar derrotar a nós e a nossos argumentos – como se fôssemos adversários.

Ficou também evidente o contraste entre a alienação e falta de argumentos racionais dos onívoros e a consciência e riqueza de conhecimento e informação dos vegetarianos. Concluiu-se que a maioria dos primeiros come carne não por motivos bem pensados, mas por inércia cultural, crença “amém” em velhos e surrados mitos, desconhecimento da extremamente diversificada culinária vegetariana e, acima de tudo, prazer do paladar. O vegetarianismo figurava-se mais racional e bem fundamentado que o onivorismo.

Pensemos no seguinte: quando declararem por lei um Dia Nacional do Churrasco e fizerem uma campanha do tipo #DiaDoChurrasco no Twitter, é improvável que os vegetarianos responderão provocando com o mesmo espírito troll, com mensagens vazias carregadas do propósito de irritar o outro lado. O que será de se esperar é uma contrainvestida com muitos argumentos bem pensados por que não se deveria comemorar, e sim lamentar, esse dia.

O #DiaMundialSemCarne não induziu a população à reflexão e encaração racional do prato como se desejava, mas isso não é motivo de desalento, até porque esse foi apenas o primeiro grande Dia Mundial Sem Carne da história do Twitter – ou um dos primeiros – e pelo fato de termos chamado muito a atenção e constatado a falta de argumentos e a alienação ético-ambiental da maioria das pessoas.

Espero que esta reflexão sirva como base para se trabalhar a militância vegetariana a curto e médio prazo – que nos ajude a pensar como lidar com tamanha alienação e levar conhecimento, esclarecimento e consciência a essas pessoas. Das constatações e lições que temos em cada dia de ativismo, obtemos grande aprendizado e tornamos nossa luta pela ética e pelo meio ambiente cada vez mais forte e eficiente.

Robson Fernando é dono do blog Arauto da Consciência e estudante de Ciências Sociais apaixonado por sociologia

fonte: http://vista-se.com.br/site/trolls-atirando-nos-proprios-pes-reflexao-sobre-o-diamundialsemcarne?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+vista-se+%28Vista-se%29

segunda-feira, 22 de março de 2010

sexta-feira, 19 de março de 2010

terça-feira, 16 de março de 2010

Cega, Surda, Muda

Constroem-se mais hospitais, contratam-se mais médicos, melhoram-se as tecnologias e os remédios, porém ainda assim sempre teremos problema com o sistema de saúde, pois o verdadeiro problema não está no sistema, mas em todo o contexto social.


Desde pequenos somos alfabetizados com bulas e mais bulas de remédios. Aprendemos que ficar doente é algo normal e corriqueiro e que o porquê e o como são coisas que não existem nos vocabulários da medicina. A única coisa que existe é o tratamento.

Para quase tudo há uma pílula mágica com as pseudo-soluções de nossos problemas de saúde, porém o que não percebemos é o quanto artificial é esta atitude. Não estou querendo recriminar os métodos da medicina tradicional, porém quero questioná-los e dizer que saúde não é algo que se compre em farmácia.

Saúde vem de uma boa educação alimentar, de práticas de exercícios físicos, de uma vida sem drogas, álcool e excessos.

Assim, o problema do sistema de saúde brasileiro está nos próprios brasileiros que inundam seus corpos com toneladas de açúcar e gordura saturada. Porém a culpa não é só da sociedade, mas também de uma administração pública incompetente e tapada que não consegue enxergar um palmo à frente de suas barrigas gordas e salientes (vejam o exemplo físico de nosso presidente).

Para constatar que nossos problemas de saúde são iniciados no berço, a Universidade Estadual do Rio de Janeiro realizou uma pesquisa sobre os índices de obesidades infantil no Brasil, descobrindo estar na faixa de 11%, não muito distante dos 15% dos Estados Unidos. E quanto ao colesterol este índice é de 10% nas crianças e em adultos é o maior do mundo.

Portanto, é nítido visualizar onde começam e onde terminam nossos problemas de saúde (principalmente onde eles terminam).

Acesse: http://lenonmendes.blogspot.com

quinta-feira, 11 de março de 2010

Pão de "queijo" vegano

Ingredientes:

- 4 xícaras de polvilho doce
- 1 xícara de polvilho azedo
- 3 xícaras de purê de mandioquinha (descascar, cozinhar e amassar)
- 1/2 xícara de purê de cenoura (descascar, cozinhar e amassar)
- 2/3 de xícara de óleo
- Água
- 1 colher (sopa) de sal

Modo de preparo:

Misturar, em uma bacia grande, todos os ingredientes secos (polvilhos e sal).
Acrescentar os purês e misturar (ainda não vai ficar homogêneo).
Acrescente a água e o óleo, e misture tudo com a ajuda de uma colher até que possa usar as mãos. Vá misturando até obter uma massa lisa e homogênea.
Molde bolinhas com as mãos e coloque em uma assadeira (não é necessário untar).
Asse em forno baixo por cerca de 1h20 (ou até que tenham crescido e estejam dourados).

quinta-feira, 4 de março de 2010